Inverno amazônico e alagamentos elevam perigo de contágio pela urina de ratos. Em 2025, Estado confirmou 151 casos; saiba identificar os sintomas e como se proteger.
Com a intensidade das chuvas que marcam o atual período no estado, a população paraense precisa redobrar a atenção contra a Leptospirose. A doença volta a preocupar as autoridades sanitárias durante o inverno amazônico, visto que o acúmulo de água e os alagamentos aumentam significativamente os riscos de contaminação. O alerta foi emitido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
A Leptospirose é uma infecção grave causada pela Leptospira, uma bactéria presente na urina de roedores, principalmente ratos. Embora o animal não adoeça, ele libera a bactéria que pode sobreviver por meses em esgotos e lamas.
"Quando chove, a água entra na toca do rato e traz a bactéria para a superfície, aumentando o risco de infecção em pessoas", explicam os especialistas.
Como ocorre o contágio
Segundo Elke Abreu, coordenadora estadual de Zoonoses da Sespa, o contato com água contaminada, especialmente se houver ferimentos na pele, é a principal porta de entrada. Porém, o perigo vai além:
- Pele íntegra: O contágio pode ocorrer se a pessoa ficar imersa por muito tempo em água ou lama contaminada.
- Ingestão: Consumo de alimentos ou água que tiveram contato com a bactéria.
Fique atento aos sintomas
Os sinais da doença costumam aparecer cerca de oito dias após o contato com a água suja. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e dor muscular, com destaque para dores na panturrilha (batata da perna).
O diagnóstico pode ser dificultado pela semelhança com outras doenças comuns na região, como Dengue, Zika e Chikungunya. "Se o paciente relatar que teve contato com esgoto, lixo ou água empoçada nas ruas, o médico precisa suspeitar de Leptospirose", alerta a coordenadora.
Em casos graves, a doença pode evoluir para icterícia (pele amarelada), hemorragias oculares e insuficiência renal, podendo levar à morte.
Dados no Pará
A Sespa divulgou o balanço da doença no estado:
- 2025: Foram confirmados 151 casos, com maior incidência entre janeiro e abril. Os municípios mais afetados foram Belém (53), Óbidos (16) e Castanhal (11).
- 2026: Nos dois primeiros meses do ano (janeiro e fevereiro), já foram registrados quatro casos, sendo três em Santarém e um em Breves.
Medidas de Prevenção
Para evitar a contaminação, siga as recomendações de segurança:
- Evite o contato com água parada e o acúmulo de lixo;
- Proteja os pés com botas ou sacos plásticos ao transitar em áreas alagadas;
- Consuma apenas água tratada;
- Não deixe restos de ração animal expostos (atrai roedores);
- Evite banhos em igarapés ou canais próximos a áreas com infestação de ratos;
- Descarte alimentos que possam ter sido tocados por roedores.
Serviço:
Ao apresentar sintomas, usuários do SUS devem procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para o primeiro atendimento.
