Incidente no centro da capital revela sucateamento da Funpapa e falta de vagas em abrigos, denuncia sindicato da categoria.


O encontro do corpo de um idoso em situação de rua na Praça do Relógio, no bairro da Campina, centro de Belém, no último sábado (25), trouxe à tona a grave crise no atendimento às pessoas em vulnerabilidade social na capital paraense. O incidente não é visto apenas como uma fatalidade isolada, mas como um reflexo das dificuldades estruturais enfrentadas pela rede municipal de assistência.

De acordo com Rayme Sousa, diretor do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único da Assistência Social (Sintsuas) da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), o serviço prestado pelo município tem apresentado uma piora acentuada. Sousa aponta que a falta de equipamentos e de condições adequadas de trabalho compromete diretamente o suporte a quem vive nas ruas.

Sucateamento e Falta de Vagas

Para o dirigente sindical, a atual gestão municipal mantém um processo de sucateamento da rede socioassistencial. "Persistem problemas estruturais, como falta de equipes completas, redução de serviços, sobrecarga de trabalhadores e ausência de políticas contínuas e estruturadas", pontua Sousa.

Um dado alarmante revelado pelo Sintsuas diz respeito ao Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (Saif 1 e 2). Embora os espaços tenham capacidade para abrigar 90 pessoas, atualmente contam com menos de 50. Além da baixa ocupação em meio à alta demanda, Sousa denuncia episódios de violência institucional e negligência, configurando um cenário de desproteção social.

Déficits Estruturais e de Pessoal

A carência de recursos humanos e materiais é outro ponto crítico apontado pela Funpapa. Atualmente, há um número reduzido de assistentes sociais, psicólogos, educadores sociais e cuidadores. A falta de insumos básicos — que vão desde materiais de higiene, roupas e alimentos até itens de escritório como papel, canetas e acesso à internet — inviabiliza o trabalho técnico.

Além das falhas logísticas, existem relatos recorrentes de assédio institucional e desvalorização profissional, o que desmotiva as equipes e prejudica a qualidade do atendimento.

Ações de Visibilidade vs. Soluções Reais

Embora a rede conte com dois Centros Pop, dois espaços de acolhimento e um albergue (Espaço Acolher), o sindicato defende que falta investimento real e planejamento. Para o Sintsuas, ações como a reabertura de restaurantes populares são importantes, mas insuficientes se tratadas como solução única, pois atendem a uma parcela ínfima da população.

"O que falta é ampliação da rede de acolhimento, concursos públicos e integração com políticas de saúde, habitação e renda. Sem isso, o atendimento segue sendo emergencial e incapaz de promover uma saída efetiva das ruas", conclui Rayme Sousa.

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