Polícia Federal vai investigar negociação milionária; agência ligada a Flávio também recebeu R$ 71,5 milhões do governo Lula.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cassado em dezembro de 2025 e atualmente morando nos Estados Unidos, negou a existência de qualquer contrapartida financeira ou favorecimento em troca das doações feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse. A obra cinematográfica retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração ocorreu após a revelação de que seu irmão, o senador e pré-candidato à Presidência da República neste ano, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negociou o repasse de R$ 134 milhões com Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o longa-metragem.
As trocas de mensagens de texto e áudio entre Flávio e o banqueiro foram inicialmente divulgadas pelo site Intercept Brasil e confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A Defesa de Eduardo Bolsonaro
Durante uma transmissão ao vivo com o jornalista Paulo Figueiredo, Eduardo justificou a transação e minimizou as acusações. "A gente só tinha a oferecer a ele exposição para ele ser perseguido. Qual era a contrapartida do Vorcaro?", questionou.
Eduardo também buscou traçar um paralelo entre a doação para o filme e repasses feitos pelo mesmo Banco Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Segundo o ex-deputado, há uma tentativa de "forçar uma ilegalidade" por parte da mídia e das autoridades simplesmente porque o alvo central é seu irmão, Flávio Bolsonaro.
Investigação da Polícia Federal e o Fundo no Texas
A Polícia Federal (PF) deve abrir um inquérito para investigar formalmente os acertos financeiros entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Uma das principais linhas de apuração buscará confirmar se parte desses recursos milionários foi desviada para o Hevangate, um fundo sediado no Texas (EUA). As autoridades suspeitam que a manobra tenha sido estruturada para ligar o fundo a Eduardo Bolsonaro, custeando sua permanência nos Estados Unidos, uma vez que o STF já havia bloqueado suas contas e dificultado o recebimento de recursos no exterior.
Na mesma live, Eduardo negou ter recebido valores diretos do fundo Hevangate, mas confirmou a contratação do advogado Paulo Calixto — agente legal do fundo texano — para gerenciar suas questões imigratórias e "ajudar nessa questão de fundos".
Sobre a produção do filme, Eduardo admitiu ter feito um aporte inicial de US$ 50 mil para garantir a contratação do diretor Cyrus Nowrasteh. Contudo, ele alegou que o contrato em que figura como produtor-executivo era provisório, negando ter controle direto sobre as finanças ou a direção da obra.
Conexões com o Governo Lula
A polêmica envolvendo os bastidores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou mais um capítulo. Foi revelado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que a Cálix Propaganda já recebeu R$ 71,5 milhões do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A agência pertence a Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, que atua como coordenador de comunicação da atual campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Os valores foram pagos por serviços prestados aos Ministérios dos Transportes e da Integração e Desenvolvimento Regional. Até o momento, não foram divulgados detalhes específicos sobre os serviços entregues pela agência aos ministérios governistas.
