Ministro do STF anulou a decisão de André Mendonça, alertando que o afastamento do diretor-geral prejudicava centenas de investigações em curso.
Por Alechandre Viana | Jornal do Pará
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou na manhã desta terça-feira (9) o retorno imediato de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). A medida reverte a decisão proferida ontem pelo também ministro da Corte, André Mendonça, que havia determinado o afastamento do chefe da corporação.
De acordo com investigadores e delegados da PF, a saída repentina de Rodrigues ameaçava paralisar o andamento de apurações cruciais em andamento, em especial os casos envolvendo o Banco Master e as fraudes no INSS.
Na decisão publicada hoje, Flávio Dino foi categórico ao justificar a recondução. Segundo o magistrado, o afastamento imposto por Mendonça "impede o andamento de – quiçá – centenas de investigações, inclusive trabalhos e diligências em feitos da minha relatoria, que envolvem diretamente a função constitucional de prestação jurisdicional".
O estopim da crise
O rápido afastamento de Andrei Rodrigues havia sido motivado por alegações de André Mendonça envolvendo a tramitação de relatórios de inteligência da PF. Ao justificar a saída do diretor-geral, Mendonça argumentou que o ministro Alexandre de Moraes teria utilizado documentos fornecidos por Andrei para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade supostamente cometidos pelo próprio Mendonça na relatoria dos casos do Banco Master e do INSS.
Segundo a versão de Mendonça, tais relatórios evidenciariam um "monitoramento sistemático e ilegal" promovido pela PF por mais de 30 dias. A suposta vigilância teria como alvos a sua própria atuação no Supremo e a de outras autoridades da República, a exemplo do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Com a liminar de Flávio Dino, Andrei Rodrigues reassume imediatamente o comando da instituição policial enquanto o mérito da disputa aguarda resolução no plenário da Corte.
