Operação cumpriu mandados em Belém e Brasília nesta quinta-feira (15); investigações apontam que Maria Virgínia Grimwood Pinto recebia propina para proteger criminosos e vazar informações.

Da Redação | Jornal do Pará

Delegada da Polícia Civil do PA é presa por suspeita de vazar informações e proteger membros do PCC. Mandados foram cumpridos em Belém e Brasília.

Na manhã desta quinta-feira (15), uma operação conjunta resultou na prisão de Maria Virgínia Grimwood Pinto, delegada da Polícia Civil do Pará, suspeita de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília (DF).

A ofensiva foi organizada pela Polícia Civil de Pernambuco, com forte apoio da Polícia Civil do Pará e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Simultaneamente à prisão no Distrito Federal, equipes do GAECO, da Divisão de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECRIF) e de agentes pernambucanos cumpriram mandados de busca e apreensão em Belém. Os alvos foram a residência da delegada e o seu gabinete na Divisão de Polícia Administrativa (DPA), situado na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil, na avenida Magalhães Barata.

Detalhes da Investigação

O GAECO acompanha o caso há cerca de seis meses e auxiliou ativamente na elaboração das peças investigativas. Segundo as apurações, Maria Virgínia recebia vantagens financeiras ilícitas para fornecer informações sigilosas e garantir proteção institucional a membros do PCC.

A investigação revelou uma possível ligação direta da delegada com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”. Ele é apontado como uma das principais lideranças da facção na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE), e está preso desde janeiro de 2025, quando foi alvo da Operação Sinalagma.

Além das acusações de corrupção passiva, colaboração com organização criminosa e violação de sigilo funcional, o inquérito identificou indícios robustos de crimes financeiros. Com base em análises de dados telemáticos e Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf, os investigadores suspeitam de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A delegada teria utilizado documentos falsos, empresas de fachada e contas bancárias em nome de terceiros ("laranjas") para dissimular a origem do dinheiro recebido pelo esquema.

O Ministério Público estadual reforçou que a ação desta quinta-feira reflete o esforço integrado das forças de segurança estaduais no duro enfrentamento ao crime organizado e à corrupção institucional, operando estritamente dentro dos limites autorizados pela Justiça.