Com cerca de 60 pacientes nos corredores, servidores denunciam risco de colapso, falta de leitos e calote da prefeitura em hospitais conveniados.
Da Redação | Jornal do Pará
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| Crise no PSM da 14 em Belém deixa 60 pacientes nos corredores. Servidores denunciam colapso, falta de leitos e atrasos de repasses da prefeitura. Fotos: Divulgação |
Aproximadamente 60 pacientes estão internados de forma improvisada nos corredores do Hospital de Pronto Socorro Mário Pinotti (PSM da 14), localizado no bairro do Umarizal, em Belém. Servidores da saúde denunciam que a unidade está à beira do colapso devido à superlotação e à interrupção na transferência de doentes, provocada por atrasos nos pagamentos da Prefeitura de Belém aos hospitais conveniados.
A denúncia, formalizada pela Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém (Assesmub), revela um cenário crítico que se agravou nos últimos 15 dias. A lotação extrema gerou o esgotamento das equipes médicas, superlotação no atendimento e um aumento alarmante no risco de mortes e contaminação hospitalar cruzada.
Colapso no andar térreo e falta de estrutura
Segundo a diretora da Assesmub, Rosana Rocha, a situação no andar térreo é insustentável. "Não tem maca, não tem colchonete, não tem lugar. Tem idosos em macas sem suporte e em colchonetes no chão. É um absurdo!", relata a servidora. Ela alerta ainda para a mistura de pacientes com diferentes quadros, como pessoas com pé diabético infectado, o que agrava o risco de infecções hospitalares cruzadas.
A denúncia aponta também para a ausência de gestão na unidade. "A direção do hospital sumiu no feriado do Círio. Não há coordenação, largaram tudo", desabafou Rosana.
Calote em conveniados impede transferências
A paralisação das transferências para outros hospitais da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) em Belém seria motivada pela falta de repasses da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) às clínicas e hospitais particulares. Como resultado, instituições conveniadas suspenderam a oferta de leitos, represando pacientes no Mário Pinotti, que funciona no esquema de portas-abertas.
A situação é agravada pelas mudanças na gestão. O Núcleo de Regulação (NIR) da unidade teve seus servidores efetivos substituídos por profissionais da Tríade, empresa terceirizada contratada pela Sesma. Atualmente, o setor conta apenas com uma médica atuando à distância. Especialidades essenciais, como clínica médica, neurocirurgia e traumatologia, estão suspensas, deixando inclusive 20 pacientes aguardando cirurgias em casa.
Trabalhadores adoecem em meio à crise
As condições precárias afetam diretamente a saúde mental e física dos profissionais. A sobrecarga de trabalho levou ao esgotamento das equipes e ao aumento das faltas nos plantões. Além disso, os servidores relatam a falta de apoio da Guarda Municipal, enfrentando frequentemente brigas e ameaças por parte de acompanhantes desesperados com a falta de atendimento adequado.
Reunião e cobrança de soluções
A Assesmub exige medidas imediatas, como a liberação urgente de leitos externos, o retorno de servidores efetivos para a regulação do PSM e inspeções mensais no hospital.
Para debater a crise, uma reunião foi agendada para as 15h desta quinta-feira (15), convocada pelo procurador do Ministério Público Federal (MPF), Patrick Colares, com a presença de representantes dos servidores, Conselho Regional de Medicina (CRM), Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) e Sesma. O Sindmepa deve se pronunciar oficialmente após o encontro. A reportagem solicitou esclarecimentos à Sesma e aguarda posicionamento.
