Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro torna-se Patrimônio Cultural Imaterial do Pará

Governadora Hana Ghassan sancionou lei que reconhece a tradição religiosa, iniciada em 1947, como símbolo da identidade e fé do povo paraense.

Fiéis se reuniram na igreja em Belém para o momento de reconhecimento da novena como patrimônio cultural. Foto: CLÁUDIO PINHEIRO

A fé que movimenta milhares de paraenses todas as terças-feiras agora é, oficialmente, parte da identidade do Estado. A Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Pará. A lei de reconhecimento foi assinada nesta segunda-feira (5) pela governadora Hana Ghassan, em cerimônia marcada por forte emoção no santuário dedicado à santa, localizado no bairro do Telégrafo, em Belém.

O ato foi precedido por um momento de oração que reuniu autoridades, membros do clero e uma multidão de devotos. O reconhecimento é fruto do Projeto de Lei nº 151/2025, de autoria do deputado estadual Fábio Figueiras (PV), aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) no último dia 7 de abril.


Uma tradição que atravessa gerações

Realizada ininterruptamente desde 1947, a novena é considerada uma das maiores manifestações religiosas do Norte do Brasil. Semanalmente, o santuário recebe entre 20 mil e 30 mil fiéis, vindos da capital e de diversos municípios do interior. As celebrações ocorrem em um ritmo intenso, das 5h às 21h, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Para a governadora Hana Ghassan, o título é um reconhecimento à força espiritual do Pará.

“A novena representa a fé do povo paraense. É um abraço no coração de todos nós. Hoje não é só a assinatura de um documento; é o reconhecimento da fé que move o nosso Estado”, afirmou a governadora.

Este novo título estadual soma-se ao reconhecimento municipal já concedido pela Prefeitura de Belém em 2025, consolidando a importância da festividade ao lado de grandes eventos como o Círio de Nazaré.


"Reconhecimento justo", afirma o clero

O pároco do Santuário, padre Cleidivan Brito, destacou que a sanção da lei faz justiça à relevância social e cultural do evento. Segundo ele, a novena altera a dinâmica da cidade e faz parte do cotidiano do povo.

  • Impacto local: A movimentação afeta desde a economia informal até o tráfego urbano.
  • Presença eclesial: A cerimônia contou com a presença do Monsenhor Agostinho Cruz, representando a Arquidiocese de Belém.


Fé e cura: O relato dos devotos

Para os frequentadores assíduos, a novena vai além do rito religioso; é um refúgio. A costureira Kátia de Nazaré, de 61 anos, moradora da Vila da Barca, frequenta o local para agradecer pela saúde.

“A gente não sabe nem descrever o que sente. Parece que a gente vem para cá e encontra todas as respostas para as nossas perguntas. Só segurando na mão de Maria para vencer as batalhas”, relatou emocionada.

Com a nova lei, o Estado se compromete a preservar a memória coletiva e garantir a continuidade desta tradição, valorizando o patrimônio imaterial e a herança cultural deixada pelos devotos há quase 80 anos.

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