Moradores denunciam abandono e prejuízos com alagamentos em Icoaraci

Em situação de descaso crônico, famílias do distrito de Belém sofrem com a falta de saneamento, ruas intrafegáveis e a invasão de águas e lama em suas residências.


Moradores da Baixada Fluminense, no distrito de Icoaraci, em Belém, denunciam uma grave situação de abandono pelo poder público. Problemas estruturais antigos, como a falta de saneamento básico, ruas tomadas por mato e lama, e constantes alagamentos, têm transformado a rotina da comunidade em um cenário de prejuízos e insegurança.

A situação se torna crítica durante o período chuvoso. Com a drenagem inexistente, a água invade as casas, destrói móveis e impede a mobilidade básica, impedindo até que crianças brinquem nas ruas, frequentemente submersas.

"A gente se sente esquecido", desabafa moradora

A costureira Divanete Ferreira Gomes, de 54 anos, reside na passagem São Vicente de Paula há três décadas e afirma que a realidade nunca mudou. "Aqui sempre foi muito alagamento. As nossas casas vão para o fundo, nós temos muitas perdas", conta.

Segundo Divanete, o isolamento é quase total. Serviços essenciais como ambulâncias do Samu e carros de coleta de lixo não entram na via devido às condições precárias. "Eles chegam até a entrada, na 'Sousa Franco', e não entram mais. Foi só promessa e nunca fizeram nada", lamenta. Para garantir o mínimo de acesso, os próprios vizinhos se organizam para pagar, do próprio bolso, o aterramento das vias.

Histórico de descaso e perdas materiais

O cenário de precariedade é reforçado pelo pedreiro Raimundo Piedade da Costa, 69, que vive na área há 40 anos. Ele explica que o acúmulo de água de áreas vizinhas agrava o problema. "Tudo que vem lá de cima é jogado aqui embaixo. Muitas casas já foram para o fundo, já levantamos pisos várias vezes e o problema continua", afirma.

A aposentada Maria Gorete Rodrigues Gonçalves, 64, relata que as enchentes são implacáveis. Recentemente, a água voltou a invadir sua casa, trazendo o temor de perder eletrodomésticos novamente. "Já perdi geladeira, já perdi fogão. Choveu, a casa está no fundo", diz ela, fazendo um apelo por intervenção urgente das autoridades.

Riscos à saúde e falta de dignidade

Para quem vive na Baixada Fluminense, a chuva traz riscos que vão além dos danos materiais. A vendedora Zilda Santana, 62, que mora no local há 48 anos, descreve a situação como humilhante. "Aqui dá bicho, cobra. É uma calamidade", desabafa.

A dona de casa Jéssica Pinheiro, 35, alerta para o perigo sanitário a que as crianças estão expostas.

"Tem rato, muito carapanã à noite, lixo e até fezes. Queremos dignidade. Somos seres humanos", pontua.

Posicionamento oficial

A redação do Jornal do Pará entrou em contato com a Prefeitura de Belém para solicitar um posicionamento sobre o cronograma de obras e saneamento para a região da Baixada Fluminense, em Icoaraci, e aguarda retorno.

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