A Polícia Civil do Pará apura as circunstâncias das mortes de Jamilly Vitória de Araújo Cordeiro, de 20 anos, e de seu bebê, ocorridas nesta semana no Hospital Beneficente Portuguesa, em Belém. A família alega negligência e demora na realização de uma cirurgia cesariana.
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| Jamilly Vitória de Araújo Cordeiro e bebê morreram após mais de 24 horas de trabalho de parto, diz marido — Foto: Reprodução |
A Polícia Civil confirmou, nesta quarta-feira (6), a abertura de um inquérito para investigar a morte de uma jovem de 20 anos e de seu filho recém-nascido após um procedimento de parto no Hospital Beneficente Portuguesa, em Belém. O caso, que gerou forte comoção, foi registrado pela família das vítimas por meio de um boletim de ocorrência.
Cronologia dos Fatos
De acordo com o relato de Fernando Portilho Araújo, marido de Jamilly Vitória, a jovem começou a sentir fortes dores ainda no domingo (3). Ao procurar a unidade hospitalar, ela teria recebido alta e orientação para retornar para casa.
Na manhã de segunda-feira (4), o casal retornou ao hospital, momento em que Jamilly foi internada para aguardar a dilatação necessária para o parto. O bebê, segundo exames prévios, pesava quase 4 kg, o que levava a família a acreditar que o procedimento indicado seria uma cesariana.
"A gente sabia que a criança era grande e, por ela ser uma pessoa nova e pequena, nunca pensamos que ia ser um parto normal. Ela passou de segunda até o outro dia sofrendo dores e esperando esse parto, que não aconteceu", desabafou Fernando.
Complicações e Óbitos
Jamilly permaneceu em trabalho de parto até a terça-feira (5), quando foi submetida a uma cirurgia de emergência devido a complicações. Infelizmente, a morte do bebê foi comunicada à família na manhã de terça. Cerca de quatro horas depois, no início da tarde, a equipe médica confirmou o falecimento de Jamilly.
Investigação e Notas Oficiais
A Polícia Civil (PC) informou que o caso, registrado inicialmente na seccional de São Brás, foi encaminhado para a delegacia do Comércio, que ficará responsável pelas diligências.
Em posicionamento oficial, o Hospital Beneficente Portuguesa do Pará lamentou profundamente as mortes e afirmou que:
- Toda a assistência necessária foi prestada pela equipe multiprofissional;
- A instituição seguiu rigorosamente os protocolos técnicos e assistenciais;
- Detalhes específicos não serão divulgados devido ao sigilo médico e para preservar a apuração dos fatos.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) também se manifestou, informando que já instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta médica no caso.
