Ao reconduzir Andrei Rodrigues à Diretoria-Geral, ministro do STF destacou a gravidade da interferência de André Mendonça, citando reunião polêmica com ex-banqueiro investigado.

Por Alechandre Viana | Jornal do Pará

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Na decisão, Dino fez duras críticas à postura do colega de Corte, o ministro André Mendonça, que havia afastado a cúpula da corporação na última terça-feira (8).

O ponto central da argumentação de Flávio Dino para reverter o afastamento baseia-se na gravidade da conduta de Mendonça. O ministro destacou uma informação recente que veio a público: um encontro privado entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O agravante, segundo a decisão, é que Vorcaro é investigado em um processo que está sob a relatoria do próprio Mendonça.

No documento oficial que devolveu o comando da PF a Andrei Rodrigues, Dino foi enfático ao classificar a atitude do colega como uma grave interferência institucional, ressaltando os bastidores da reunião polêmica.

"Mais grave se torna essa interferência na esfera de competências de outros Ministros e do próprio Plenário do STF quando, recentemente, veio a lume a informação de que o Ministro André Mendonça teria recebido, para reunião nas dependências de uma empresa privada, o Sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência", escreveu Dino.

O ministro completou sua manifestação alertando para as conexões do encontro: "Segundo noticiado, essa reunião teria ocorrido, inclusive, por intermediação de outros agentes que figuram em investigações em curso no Poder Judiciário".

A decisão de Flávio Dino anula a determinação proferida por Mendonça no dia anterior e evidencia um clima de tensão e divergência interna no Supremo Tribunal Federal envolvendo os rumos das investigações e o comando da Polícia Federal no país.