Petista supera desvantagem do primeiro turno, vence a disputa mais acirrada da história recente e garante mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Da Redação | Jornal do Pará
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com a apuração concluída, o petista garantiu sua permanência à frente do Palácio do Planalto por mais quatro anos.
A vitória marca um feito inédito na política brasileira contemporânea. Pela primeira vez desde a redemocratização, em 1989, um candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter a desvantagem e sair vitorioso no segundo turno. Nas sete eleições presidenciais anteriores decididas em duas etapas, o líder do primeiro turno sempre havia confirmado o favoritismo na rodada final.
A disputa de 2026 consolida-se como a mais apertada da história recente do país. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos foi a menor já registrada entre os dois primeiros colocados desde a retomada das eleições diretas.
O cenário do primeiro turno contou ainda com Augusto Cury (Avante) na terceira colocação, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). A campanha para o segundo turno foi profundamente marcada pela polarização acirrada e pelos altos índices de rejeição de ambos os candidatos.
A força do 'Exército do Lula' e a mobilização digital
Para concretizar a virada, a campanha petista apostou pesadamente na mobilização digital. O grande destaque foi o canal de WhatsApp batizado de "Exército do Lula", comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A ferramenta ultrapassou a marca de 10,6 milhões de usuários nos dias decisivos da disputa, com o objetivo de pulverizar os feitos e as propostas do governo.
Em transmissão ao vivo realizada no fim de semana, Lula e Janones estabeleceram a meta de alcançar entre 11 e 13 milhões de participantes. A tática visou aproximar o presidente de sua base e criar uma rede paralela de distribuição de conteúdos favoráveis, contornando a disputa por alcance orgânico nas redes sociais tradicionais.
Intervenções do TSE e embates jurídicos
O campo de batalha digital acabou sendo judicializado na reta final. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a fiscalização sobre os conteúdos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do influenciador Pablo Marçal. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que as plataformas Meta e X (antigo Twitter) apresentassem relatórios a cada seis horas sobre a distribuição das publicações de ambos.
A decisão integra uma investigação mais ampla sobre a campanha de Flávio Bolsonaro, motivada por alegações da coligação de Lula de que as publicações favoreciam o senador de forma irregular. Embora as contas não tenham sido suspensas, o TSE restringiu a recomendação automática das postagens de Nikolas e Marçal para usuários que não os seguiam. Em resposta, Nikolas Ferreira apelou para que seus seguidores focassem no compartilhamento manual de seus conteúdos, mencionando também atos de campanha de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
MPE opina por extinção de processo sobre sigilos
A judicialização da campanha também abrangeu a esfera da privacidade fiscal. A equipe de Lula acionou o TSE com um pedido para a abertura e divulgação simultânea dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos de ambos os presidenciáveis.
Na última sexta-feira (23), o Ministério Público Eleitoral (MPE) manifestou-se pela extinção do processo sem resolução do mérito. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, argumentou que a solicitação não justificava a atuação da Justiça Eleitoral. O embate refletiu o clima de tensão e a busca por transparência forçada que ditaram o tom dos últimos dias da corrida eleitoral de 2026.
