Gladson Cameli foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Ptolomeu; defesa nega irregularidades e recorrerá da decisão.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou, nesta quarta-feira, o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a uma pena de 25 anos e 9 meses de prisão. A decisão fundamenta-se em crimes de dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Cameli, que renunciou ao cargo em abril para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro, agora enfrenta a inelegibilidade por oito anos, conforme os critérios da Lei da Ficha Limpa. Embora a decisão tenha sido proferida por um órgão colegiado, o ex-governador ainda pode tentar disputar o pleito sub júdice, caso obtenha uma liminar na Justiça Eleitoral enquanto recorre da sentença.
Detalhes do Julgamento
O placar final do julgamento foi de oito votos a favor da condenação, seguindo o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi. Houve uma divergência parcial liderada pelo revisor, ministro João Otávio de Noronha, que sugeriu uma pena menor (16 anos) com base na dosimetria, mas foi vencido pela maioria.
O processo é um desdobramento da Operação Ptolomeu, que investiga o desvio de aproximadamente R$ 16 milhões dos cofres públicos. O foco central desta denúncia foi um contrato firmado em 2019 entre a Secretaria de Infraestrutura do Acre e a empresa Murano Construções para a manutenção de prédios públicos.
O que diz a defesa
Em nota oficial, Gladson Cameli afirmou ter recebido a decisão com "serenidade e absoluto respeito", mas reforçou que confia na reversão do resultado nas instâncias superiores. "O eleitor do nosso estado merece ter sua escolha no voto respeitada. Ninguém pode ganhar no tapetão", declarou o ex-governador.
Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti, que representam Cameli, argumentam que o julgamento ignorou uma decisão anterior do STF sobre a ilegalidade da origem das investigações e que o contraditório não foi plenamente exercido. A defesa manifestou "plena convicção" de que a condenação será anulada.
